Feijão Com Arroz

Novembro 1, 2009

A Receita de Cura de Isaias

Arquivado em: Uncategorized — Antonio Polo @ 1:45 pm

A RECEITA DE CURA DE ISAÍAS!

 

Isaías 58 nos diz que o que cura é o amor.

Não adianta ora, jejuar, se humilhar, odiar com devoção piedosa o inimigo, dedicar-se aos cultos de vigília e combate, ou qualquer outra coisa, pois, sem amor, nada terá proveito; posto que sem amor toda existência se torne doença.

O cenário que Isaías divisava era caótico.

Um povo que vivia cheio de crenças e nenhuma fé.

Além disso, era um povo que se acostumara a usar a crença como macumba para soluções de problemas.

Oravam por contenda e para buscar diante de Deus alguma vantagem sobre o próximo em qualquer coisa ou área da vida.

Por isto, diz o profeta, eles secaram.

Oravam e não eram respondidos.

Jejuavam e apenas emagreciam…

Buscavam vantagens, mas tornavam-se estéreis como um deserto.

Suas obras viravam ruínas em seus próprios dias…

Enquanto isto, eles, em sua insegurança, buscavam exercer controle e poder sobre os outros.

Por isto, prendiam, escravizavam, amarravam ao próximo ou o algemavam com cadeias de dependência ou de manipulação.

Então, vem Deus e diz:

Se vocês pararem de orar a oração do ódio, da contenda e da disputa, e se ao invés disso dedicarem-se a soltar as ligaduras da impiedade e a quebrarem toda dependência que vocês criaram ou que venham a encontrar posta sobre o próximo; e se vocês ao invés de se vingarem, tratarem o inimigo com bondade; e se abrirem a própria alma confessando fraqueza com os fracos, e se não fugirem do encontro com o próximo, o semelhante — então, Eu digo: Eu estarei com vocês de tal modo que serei glória nas costas de vocês e luz adiante de vocês; e serei Aquele que nem mesmo os deixará pedir ou clamar, pois, antes que o façam Eu já terei respondido; e antes que gritem…, Eu mesmo me adiantarei e direi: Ei! Eu estou aqui!

E mais:

Deus diz: Quando vocês começarem a curar o próximo e as relações de vocês com a vida, Eu mesmo curarei as doenças de vocês.

Desse modo, diz o Senhor:

Quem quer ser curado, ame; pois, quem cuidar das coisas do amor, esquecendo-se de si mesmo, esse será curado no caminho, enquanto liberta e cura outros.

Esta é a verdade do Evangelho de Deus para mim e para você!

 

Nele, que nos cura pelo exercício do amor,

 

Caio Fabio

 

 

Outubro 28, 2009

Livro que Faz chorar (Rubem Alves)

Arquivado em: Uncategorized — Antonio Polo @ 1:31 pm

Livro que faz chorar

Um texto não interpretado permanece vivo para sempre

Uma livreira me contou. Um pai foi à sua livraria e comprou o livro O patinho que não aprendeu a voar, para seu filho. No dia seguinte, voltou muito bravo. “Meu filho chorou ao final do livro. Ainda chora quando se lembra do patinho que não aprendeu a voar. Isso é livro que se dê a uma criança?”

Eu compreendo. Ele quer que seu filho só tenha alegrias. Ele quer que os livros que seu filho lê sejam engraçados e façam rir. As crianças não deveriam ler livros que fazem chorar.

Mas tristeza não é coisa ruim. A poesia brota da tristeza. Alberto Caeiro escreveu: “Mas eu fico triste como um pôr de sol/Para a nossa imaginação/Quando esfria no fundo da planície/E se sente a noite entrada/Como uma borboleta pela janela/Mas minha tristeza é sossego/Porque é natural e justa/E é o que deve estar na alma…” Escrevi muitas estórias alegres e que fazem rir. Mas as que mais amo são aquelas que fazem chorar.

Por que é que o menininho chorou ao ler a estória do patinho que não aprendeu a voar? Porque sentiu aquilo que minha neta sentiu. Ela falou, em meio às lágrimas: “Vovô, eu não consigo ver uma pessoa sofrendo sem sofrer. Quando vejo uma pessoa sofrendo o meu coração fica junto ao coração dela…” Ela e o menininho sentiram compaixão. Seus corações ficaram junto ao coração de alguém ou de algum bichinho que estava sofrendo. Sofreram um sofrimento que não era seu.
Como ensinar a compaixão? De que vale conhecimento sem compaixão? Somente o conhecimento com compaixão cria a bondade. E uma sociedade em que não existe a bondade não é digna de que vivamos nela. Como a nossa, em que a bondade foi espremida nos cantos e as ruas se encheram de medo.

Gandhi relata que a experiência que mudou o seu coração foi a leitura de um livro. Ele era ainda adolescente. O livro o comoveu tanto que ele queria ser como o herói, nobre e generoso. Esse sentimento o acompanhou pelo resto da vida. Seu coração ficou junto ao coração do herói. E não importava que o herói nunca tivesse existido, que fosse apenas uma ficção literária. Pois é isso que a literatura faz: se desprega da vida real para dar-lhe um sentido.

Livros engraçados são bons. O riso tem a função de mostrar que o rei está nu. Mas não conheço nenhum caso de uma pessoa que tenha sido transformada por um livro engraçado. O riso provoca crítica, mas não provoca compaixão.
Pensei então que essa poderia ser uma das maneiras de ensinar compaixão: lendo para o aluno ouvir. Mas para que as estórias façam os seus milagres é preciso que o ouvinte seja possuído pelas palavras e levado ao sabor da voz de quem lê a estória.

Fiquei então pensando que seria melhor que gastássemos menos tempo com gramática e análise sintática, e mais tempo com a leitura. É na leitura que se aprende a língua. Leitura sem testes de compreensão, sem interpretações, o que é que o autor queria dizer etc. Pura emoção. Um texto não interpretado permanece vivo para sempre, porque permanece como um enigma que nos comove todas as vezes que o lemos. Mas um texto interpretado é um texto esgotado do seu mistério, esquartejado sobre a mesa de anatomia da linguagem.

Gostaria de conversar com o pai do menino que chorou ao ler O patinho que não aprendeu a voar. O menino entendeu. Sentiu compaixão. Mas o pai não entendeu. Não chorou. Ou, quem sabe, ele ficou bravo não pelo choro do seu filho mas por ter, ele mesmo, sentido vontade de chorar – mas não chorou de vergonha…

Fonte: Revista Educação

Outubro 16, 2009

John Stott 2

Arquivado em: Uncategorized — Antonio Polo @ 1:42 pm

Um exemplo mais respeitável, embora também extremo, foi Leon Tolstoy, o reformador social e notável novelista russo do século XIX. Em sua obra O que eu Creio, 1884, ele descreve como, num período de profunda perplexidade pessoal sobre o significado da vida, ficou “sozinho com o meu coração e o livro misterioso”. Enquanto lia e relia o Sermão do Monte, “subitamente compreendi o que antes não compreendia” e o que, segundo sua opinião, toda a Igreja não havia entendido durante 1.800 anos. “Compreendi que Cristo diz exatamente o que declara”, particularmente na ordem “não resistais ao mal”. “Estas palavras . . ., entendidas corretamente, foram para mim uma verdadeira chave para tudo o mais.”  No segundo capítulo (“O Mandamento da Não-Resistência”), ele interpreta as palavras de Jesus como proibição a toda violência física contra pessoas e instituições. “E impossível confessar, ao mesmo tempo, que Cristo é Deus, cujo ensinamento básico é a não-resistência ao mal, e, consciente e calmamente, trabalhar para o estabelecimento da propriedade, dos tribunais legais, do governo e das forças armadas . . .”.  E, outra vez, “Cristo proíbe completamente a instituição humana de qualquer tribunal legal” porque estes tribunais resistem ao mal e até mesmo retribuem o mal com o mal.  Os mesmos princípios se aplicam, diz ele, à polícia e ao exército. Quando os mandamentos de Cristo forem finalmente obedecidos, “todos os homens serão irmãos, e todos estarão em paz uns com os outros . . . Então o Reino de Deus terá chegado”.  Quando, no último capítulo, tenta defender-se da acusação de ingenuidade porque “os inimigos virão … e, se não os enfrentarmos, eles nos matarão”, ele mesmo contradiz sua cândida, na verdade equivocada doutrina de que os seres humanos são basicamente sensatos e afáveis. Até os “chamados criminosos e ladrões . . . amam o bem e odeiam o mal como eu”. E quando eles perceberem, através do ensino e das atitudes dos verdadeiros cristãos, que os não-violentos dedicam suas vidas ao serviço dos outros, “nenhum homem será tão insensato a ponto de privar de comida ou matar aqueles que lhe servem”.

Um homem que foi profundamente influenciado pelas obras de Tolstoy foi Gandhi. Já em criança aprendera a doutrina do ahimsa, “a abstenção de prejudicar aos outros”. Mas, depois, como jovem, leu em Londres pela primeira vez o Baghavad Gita e o Sermão do Monte (“Foi esse Sermão que me fez estimar tanto a Jesus”), e depois, na África do Sul, O Reino de Deus Está em Vós, de Tolstoy. Quando retornou à Índia, cerca de dez anos mais tarde, estava resolvido a pôr em prática as idéias deste último. Falando francamente, sua política não foi nem “resistência passiva” (que ele considerava negativa demais), nem “desobediência civil” (que era muito desafiante), mas satyagraha ou “a força da verdade”, a tentativa de vencer os seus oponentes pelo poder da verdade e “pelo exemplo do sofrimento voluntariamente suportado”. Sua teoria aproximava-se muito da anarquia. “O Estado representa violência numa forma concentrada e organizada.” No estado perfeito que ele imaginava, embora existisse polícia, esta raramente usaria da força; o castigo acabaria; as prisões seriam transformadas em escolas; e o litígio seria substituído pela arbitragem.

E impossível não admirar a humildade e a sinceridade de propósito de Gandhi. Mas a sua política tem de ser considerada irrealista. Ele disse que resistiria aos invasores japoneses (se viessem) com uma brigada de paz, mas a sua declaração jamais precisou ser posta à prova. Ele insistia com os judeus que oferecessem uma resistência não-violenta a Hitler, mas estes não o atenderam. Em julho de 1940, enviou um apelo a todos os ingleses para uma cessação de hostilidades, no qual declarava: “Tenho praticado, com precisão científica, a não-violência e suas possibilidades por um período ininterrupto de mais de cinqüenta anos. Eu a tenho aplicado em todos os aspectos da vida: vida doméstica, vida institucional, vida econômica e vida política. Não conheço um só caso no qual tenha fracassado.”  Mas o seu apelo caiu em ouvidos moucos. Jacques Ellul faz um perceptivo comentário, dizendo que “um fator essencial para o sucesso de Gandhi” foi o povo com quem estava envolvido. De um lado estavam os hindus, “um povo moldado por séculos de preocupação com a santidade e a espiritualidade, . . . um povo . . . capaz de entender de maneira única a sua mensagem e aceitá-la” e, do outro lado, os ingleses, que “oficialmente se declaravam uma nação cristã”, que “não podia permanecer insensível à pregação da não-violência de Gandhi”. “Mas coloquem Gandhi na Rússia de 1925 ou na Alemanha de 1933. A solução teria sido simples: depois de alguns poucos dias ele teria sido preso e ninguém mais ouviria falar dele.”

John Stott

Arquivado em: Uncategorized — Antonio Polo @ 1:35 pm

As quatro mini-ilustrações que se seguem, todas se aplicam ao princípio da não-retaliação cristã, e indicam até onde deve ir. São pequenos vividos camafeus extraídos de diferentes situa­ções da vida. Cada um deles apresenta uma pessoa (no contexto, uma pessoa que, sob um certo aspecto, é “perversa”) que pro­cura nos fazer o mal, uma nos batendo na face, outra levando-nos às barras da justiça, a terceira recrutando nossos serviços compulsoriamente e a quarta pedindo-nos dinheiro. Todos têm um toque muito atual, exceto o terceiro, que parece um pou­quinho arcaico. O verbo traduzido para obrigar (angareusei), de origem persa, foi usado por Josefo, referindo-se ao “trans­porte compulsório da bagagem militar”. Poderia ser aplicado hoje a qualquer forma de serviço ao qual fôssemos recrutados e não voluntários. Em cada uma das quatro situações, Jesus disse, nosso dever cristão é abster-nos tão completamente da vingança que até permitamos à pessoa “perversa” dobrar a injúria.

Vamos dizer logo de início, não obstante nosso grande descon­forto, que haverá ocasiões em que não poderemos nos esquivar desta exigência e teremos de obedecê-la literalmente. Pode pa­recer fantástica a idéia de oferecermos a face esquerda a alguém que já nos tenha batido na direita, especialmente quando nos lembramos de que “bater na face direita, com as costas da mão, continua sendo ainda hoje, no Oriente, um golpe insultuoso” e que Jesus provavelmente tinha em mente não um insulto comum, mas “um golpe insultuoso bastante específico: o golpe desferido contra os discípulos de Jesus na qualidade de heréticos”. Mas esse é o padrão que Jesus exige, e é o padrão que ele mesmo cumpriu. As Escrituras do Velho Testamento disse­ram sobre ele: “Ofereci as costas aos que me feriam, e as faces aos que me arrancavam os cabelos; não escondi o meu rosto dos que me afrontavam e me cuspiam.” E na ocasião do aconteci­mento, primeiro a polícia judia cuspiu nele, vendou-lhe os olhos e bateu-lhe no rosto e, então, os soldados romanos fizeram o mesmo. Coroaram-no com espinhos, vestiram-no com um manto imperial, colocaram em sua mão um cetro de cana, zombaram dele: “Salve, rei dos judeus!” Ajoelharam-se diante dele, em reverência zombeteira, cuspiram-lhe no rosto e bateram-lhe com as mãos.  E Jesus, com a infinita dignidade do autocontrole e do amor, permaneceu calado. Demonstrou sua total recusa em vingar-se, permitindo que continuassem naquela zombaria cruel por quanto tempo quisessem. Mais ainda, antes de nos apres­sarmos em fugir ao desafio do seu ensino e comportamento, declarando-os como um mero idealismo impraticável, preci­samos lembrar que Jesus chamou os seus discípulos para o que Bonhoeffer intitulou de “comunhão da cruz”, uma participação visível da cruz. Foi assim que Pedro o expressou: “Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos . . . pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje, quando maltratado não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente


John Stott – Contracultura Cristã

Setembro 23, 2009

C.S. Lewis

Arquivado em: Uncategorized — Antonio Polo @ 11:46 am

“I am trying here to prevent anyone saying the really foolish thing that people often say about Him: “I’m ready to accept Jesus as a great moral teacher, but I don’t accept His claim to be God.” That is the one thing we must not say. A man who said the sort of things Jesus said would not be a great moral teacher. He would either be a lunatic — on a level with the man who says he is a poached egg — or else he would be the Devil of Hell. You must make your choice. Either this man was, and is, the Son of God: or else a madman or something worse. You can shut Him up for a fool, you can spit at Him and kill Him as a demon; or you can fall at His feet and call Him Lord and God. But let us not come with any patronizing nonsense about His being a great human teacher. He has not left that open to us. He did not intend to.”

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