Feijão Com Arroz

Setembro 3, 2009

A Sabedoria de John Stott 1

Arquivado em: Uncategorized — Antonio Polo @ 8:18 pm

E aí, vc já chorou e jejuou pelos seus pecados ? Esse texto me parece profetico, pois cada palavra dele parece refletir algo escrito para hoje, para o Brasil, para o meu Bairro e Cidade … para a minha Igreja …para mim …não obstante ter sido escrito em 1978…

…profecia atemporal é assim …

Precisamos, então, notar que a vida cristã, de acordo com Jesus, não é só alegria e risos. Há cristãos que parecem imaginar, especialmente se estão cheios do Espírito, que devem exibir um sorriso perpétuo no rosto e viver continuamente exuberantes e borbulhantes. Que atitude antibíblica! Na versão de Lucas, Jesus acrescentou a esta bem-aventurança uma solene adver­tência: “Ai de vós os que agora rides!” A verdade é que existem lágrimas cristãs e são poucos os que as vertem.

Jesus chorou pelos pecados de outros, pelas amargas conse­qüências que trariam no juízo e na morte, e pela cidade impenitente que não o receberia. Nós também deveríamos chorar mais pela maldade do mundo, como os homens piedosos dos tempos bíblicos. “Torrentes de águas nascem dos meus olhos”, o salmista podia dizer a Deus, “porque os homens não guardam a tua lei”. Ezequiel ouviu o povo de Deus descrito como aqueles que “suspiram e gemem por causa de todas as abominações que se cometem no meio (de Jerusalém)”. E Paulo escreveu sobre os falsos mestres que perturbavam as igrejas do seu tempo: “Pois muitos andam entre nós . . . e agora vos digo até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo.”

Mas não são apenas os pecados dos outros que deveriam nos levar às lágrimas, pois temos os nossos próprios pecados para chorar. Ou será que eles nunca nos entristeceram? Será que Thomas Cranmer exagerou quando, num culto comemorando a Ceia do Senhor, em 1662, colocou nos lábios das pessoas da igreja as palavras: “Reconhecemos e lamentamos nossos múl­tiplos pecados e maldades”? Será que Esdras errou quando orava fazendo confissão, “chorando prostrado diante da casa de Deus”? Será que Paulo errou ao gemer: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” e quando escreveu à pecadora igreja de Corinto: “Não chegastes a lamentar?” Penso que não. Temo que os cristãos evangélicos, exagerando a graça, às vezes fazem pouco do pecado por causa disso. Não existe suficiente tristeza por causa do pecado entre nós. Deveríamos experimentar mais “tristeza segundo Deus” no arrependimento cristão, como aconteceu com o sensível missio­nário cristão junto aos índios americanos do século dezoito, David Brainerd, que escreveu em seu diário, a 18 de outubro de 1740: “Em minhas devoções matinais minha alma desfez-se em lágrimas, e chorou amargamente por causa da minha extrema maldade e vileza.” Lágrimas como estas são a água santa que se diz Deus guardar em seu odre.

(John Stott, Contracultura Cristã) Sobre a Bem Aventurança dos que Choram.

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