
Warren Buffet é o homem mais rico do mundo.
Sua habilidade em multiplicar riquezas sem lançar mão de manobras especulativas de risco, rendeu-lhe, além de muito dinheiro, a fama de Mago das Finanças.
As ações de sua companhia de seguros lançadas a 10 dólares 1965, valem hoje, 100 mil dólares uma única ação, em uma espantosa valorização de 1.000.000% em 40 anos.
“Ele é uma das pessoas mais inteligentes que conheci em toda a minha vida” dissse Buffet certa vez a respeito de seu ex-sócio e amigo Jorge Paulo Lemann.
Jorge Paulo Leman é 5º homem mais rico do país.
Considerado o maior e mais admirado empresário brasileiro, expert em fusões e aquisições, controlador da maior empresa de bebidas do planeta.
Minha avó, que não conheceu os dois gênios das finanças empresariais, foi crente das antigas.
Há trinta anos atrás, minha avó, ouviu a boa mensagem do evangelho e deu crédito.
Logo então, Dona Maria abandonou as hostes das romarias e idolatrias católicas, e passou a seguir o caminho da simplicidade do Evangelho, tudo muito paralelamente a um momento em que conquistara sua alfabetização, e obviamente uma coisa influenciou a outra.
Naquela época crente não bebia bebida alcoólica, tinha hábitos um tanto quanto fora do contexto atual, estranhos mesmo, tais como ler a Biblia, mannter seus joelhos calejados como resultado de orações diárias, praticar jejuns, frequentar escola dominical para o aprendizado das Escrituras, não cortar os cabelos nem usar maquiagem, falar em linguas estranhas.
Eu me entendi como crente, em uma época intermediária à minha avó, pois quando me converti ela ainda éra viva, porém não mais lúcida, foi quando dezenas de anos depois de seus carinhosos ensinamentos, a semente plantada por ela, foi arada por Deus, que com misericórdia tirou as ervas daninhas do solo árido do meu coração, me fazendo enxergar o caminho com claridade suficiente para poder ter vida, e vida com abundância.
Entretanto, na época em que me converti, o crente ainda éra visto como um ser alienado da sociedade em que vivia, com ares de inferioridade e obtusidade, naquele tempo, encantado pela Boa Nova, e já sentindo em minhas veias a vivacidade do sangue de Jesus Cristo, fazia questão de declarar a minha opção religiosa, e com isso, me cansava de perder boas oportunidades de emprego automaticamente no mesmo momento em que avisava ao entrevistador que a minha religião éra evangélica.
Hoje, apesar dos tão famosos escandalos, amigos meus fazem questão de se dizerem evangélicos em situações que precisem parecer mais sérios, responsáveis, confiáveis, e esse “approach” é válido desde o Consultor de Gestão empresarial colega de trabalho, até a empregada doméstica.
Atualmente, as regras estéticas tomaram o caminho da extinção, mesmo em igrejas tradicionais, onde não se há mais argumentos para convencer uma juventude Y, sobre a manutenção de tais costumes, como não utilizar maquiagens ou cortar o cabelo …. e o uso do álcool, assim como as obrigações financeiras com a Igreja em que se congrega, essas duas ultimas coisas, tornaram-se conceitos completamente relativizados.
Mas, duas coisas me chamaram muita atenção sobre a história dos dois senhores financistas, comentados no inicio desse texto.
Warren Buffet, é conhecido por manter até hoje habitos “não consumistas”, e é sabido dele que, utiliza roupas e automóveis até ficarem gastos, como CEO de sua empresa, ganha 100 mil dolares anuais, salário compativel com um simples analista de sistemas nos Estados Unidos, mora na mesma casa comprada em 1958, e se opõe radicalmente a transferencia de grandes fortunas entre gerações, recentemente doou à uma instituição de caridade, 85% da maior fortuna pessoal da face da Terra.
“Quero deixar dinheiro a meus filhos para que permita que eles façam alguma coisa, mas não quero deixar dinheiro que permita que eles não façam nada.” – Disse o velho Buffet.
Sim, estamos falando de uma potesdade chamada Riqueza, sobre a qual Jesus tanto advertiu como grande inimigo da raça humana, com mais poder de levar o homem ao Inferno que o proprio diabo.
Imagino-me por um instante na pele de Buffet, sinto a pressão que Mamom pode fazer sobre o seu suposto maior mandatário, ninguem melhor que Buffet para conhecer, entender e sentir toda a glória e desgraça que o dinheiro tem o poder de conferir, fazem parte da realidade dele, gente que ficou rica em um unico lance especulativo, ou que se suicidou ao perder todo o patrimonio conquistado em dezenas de gerações, ou que foi capaz dos gestos mais atrozes do universo por … por dinheiro … mas imagino as demonstrações de poder que a potestade pode oferecer ao velho Warren.
O que me salta aos olhos é que Warren Buffet não relativiza-se a si proprio no meio desuas conquistas financeiras, para ele não existe um passo a mais no consumo a cada acréscimo em sua conta bancária, afinal, como diz o comercial: Quem tem um Ford Fusion, fez por merecer, Buffet não.
Ao mesmo tempo me coloco encarnado em Jorge Paulo Lemann, envolvido no dia a dia de uma corporação lider mundial em venda de bebidas, vejo-o participando de todas as decisões de estratégia de marketing, definindo qual será o próximo e melhor comercial a ensinar o pais a “Beber e Fornicar com Moderação”.
Também teria eu, no lugar de Jorge, acesso às mais modernas e confidenciais pesquisas de comportamento do consumidor, e também pesquisas sobre os impactos do alcoolismo na sociedade brasileira, de modo a permitir planejar ações de marketing para criar um bebado-consumidor que não seja viciado suficientemente a se auto-destruir definitivamente, mas que coloque sua familia em décadas infernais e insanas.
Bem teria contato com pesquisas sobre o consumo médio de cada “Brameiro”, também e talvez, ele também entenda quais são as melhores formas de glamourização sutil do consumo de bebida alcóolica para os altos niveis da sociedade e intelectualidade, uma bela adega de vinhos, um somelier estudioso de todas as safras mais valiosas do mercado, uma flor, uma poesia, um devaneio intelectual degustando um bom Cavernet Sauvignon, talvez essa ultima estratégia seja o passo mais sórdido para suavizar o vicio inconsciente de toda uma nação.
É claro que eu no lugar dele, gostaria de saber bem quais as ações que garantam efetivamente que “se beba absolutamente sem moderação”, pois respondo para meus acionistas que querem ver o valor de vendas globais (VGV) para definir se compram ou vendem a ação da companhia.
Jorge Paulo Lemann é abstêmico.