Assunto mais que atual … tratamos as pessoas mais simples como animais a serem explorados, talvez por pensarmos que são espiritos inferiores …

Homens Invisíveis
Marco Aurelio Brasil
O psicólogo Fernando Braga da Costa realizou um estudo tão interessante quanto terrível em suas conclusões. Sua tese de mestrado relata o que ele viu após passar cinco anos como gari na Cidade Universitária, em São Paulo, e o que ele viu foi que ninguém o via. Sim, pelo menos quando com o uniforme de trabalho como gari.
Muitas vezes ele varria o chão bem em frente à faculdade de psicologia, onde dava aulas, e por ele passavam alunos, colegas e funcionários sem o notar de forma alguma. Um exemplo contundente ele conta quando certo dia um dos colegas garis sugeriu irem almoçar no bandejão da USP. Ele entrou, então, na faculdade de psicologia para ir buscar dinheiro em seu armário, só que estava uniformizado. Entrou, subiu escadas, percorreu os longos corredores, passou em frente à lanchonete, à blioteca, fez todo o caminho inverso, cruzou com dezenas de pessoas a quem conhecia muito bem, mas ninguém notou sua presença. E o que sente alguém que não existe para as outras pessoas? Ele responde: “Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angústia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar não senti o gosto da comida voltei para o trabalho atordoado”.*
Não sei quanto a você, mas ao ler isso eu não consegui deixar de sentir uma culpa imensa. Minha tendência quase irresistível de rotular pessoas, de as colocar em vidros separados para meu conforto pessoal, minha segurança, faz com que haja nas ruas e aqui no prédio não pessoas, mas a classe garis, a classe faxineiros, como existe também a classe muito ricos, a classe feios, a classe estranhos, a classe insignificantes, enfim, milhares de classes. Jamais pessoas. Algumas dessas classes exigem que eu as note e lhes diga bom dia, outras eu posso ignorar completamente. Algumas exigem que eu me aproxime, mas outras permitem que eu fique confortável, de longe, só acenando com a cabeça.
Quanto mais tomo consciência de minha própria vileza, mais me admiro da pessoa de Jesus Cristo, para quem ninguém era invisível. Ele notava a todos. Notava a mulher encolhida no meio da multidão, pensando em tocar Suas vestes sem causar alarde. Notava o traidor cobrador de impostos. Notava a samaritana junto ao poço, o arrogante e rico moço, notava alguém como Pedro, mas também alguém que provavelmente não chamasse tanta atenção assim, como Natanael, que orava embaixo de uma figueira. O mais impressionante, contudo, foi Ele um dia haver notado a mim. O poder de Seu olhar sobre mim, o calor de sua declaração de amor queimando em meus ouvidos e meu peito, me fizeram sentir visível de uma forma que eu jamais havia sentido. Me mostraram que eu existo de fato para Alguém que poderia muito bem tocar Sua vida sem perder tempo com algo tão minúsculo.
Hoje, ao lembrar disso tudo, ouvi Sua voz dizendo: “vá lá e faça o mesmo”. Senhor, dá-me teus olhos, para que eu veja como tu vês.
*fonte:
http://www.idph.net/conteudos/historias/invisibilidade_publica.shtml
Eu sou gari e vejo de perto o processo de descrinanação existe na sociedade com a nossa profição,porém eu não ligo quando alguem nos olha e nos ver como seres desenformados. A sociedade só ver com os olhos da descriminação, olha, eu nasci na favela mais perigosa de Campina Grande Paraiba, ja fui menino de rua e ja comi resto na lata de lixo, hoje sou Universitário e faço o Curso de Direíto. Martins 83-88738483
VEJA O QUE SAIU NO JORNAL!
Martins da Cachoeira
Nos últimos tempos, uma figura tem chamado a atenção pelas constantes participações nos programas de radio e manifestações populares: Martins da Cachoeira. E não é só pela falta de lideranças no movimento comunitário, mas pelo arrojo do rapaz.
Nas manifestações contra o reajuste de passagens, Martins chegou a ser criticado por estar em meio aos estudantes, mas a sociedade campinense precisa ver esse rapaz com outros olhos, inclusive como um exemplo de vencedor.
Na verdade, Martins, que sempre aparece falando pelos servidores municipais e criticando ações políticas e administrativas, também é estudante. Prestou vestibular nos últimos dias e é gari concursado do município.
Mais que isso: os campinenses precisam respeitar esse rapaz por que ele teve tudo pra ser bandido e hoje é uma liderança emergente. Nascido na favela da Cachoeira, ex-menino de rua, Martins tinha perfil para o mundo da marginalidade, mas por esforço próprio, boa índole e inteligência está à frente de muitos “filhinhos de papai”.
Não tenho contato com Martins, o conheço tanto quanto os demais campinenses, mas o que aqui escrevo é dever de justiça. Continue crescendo, Martins! Siga dando bom exemplo, garoto!
Diário da Borborema
Campina Grande /PB. Quinta feira, 8 de dezembro de 2005 Política A3
Anchieta Araújo
Comentário por MARTINS O GARI ESTUDANTE DE DIREÍTO — Agosto 17, 2007 @ 10:02 am |