Feijão Com Arroz

Abril 16, 2007

Chomsky e os Pirahãs do Amazonas

Arquivado em: Uncategorized — Antonio Polo @ 11:32 am

nc.jpg

Texto interessante na folha hoje, sobre um linguista encontrou uma tribo indígena que questiona as teorias de Chomsky.

Não acredito que Daniel Everett consiga seu intento, pois já surgem evidências de que ele tendenciou suas interpretações de alguns conceitos Chomskianos, também manipulou e monopolizou a sua relação com a tribo, mas vale esse texto pois está bastante didático.

Vale lembrar que essa teoria de Chomsky é um dos grandes argumentos da corrente científica contrária ao evolucionismo de Darwin. Para Chomsky não existe a possibilidade do homem ser resultado uma evolução de outras espécias uma vez que somente o ser humano carrega em seu cérebro um “software” linguistico não encontrado em nenhum dos outros animais da terra em um grau menor de evolução (Chomsky chamou esse software de Gramática Universal).. Mais tarde os neurocientistas comprovaram essas áreas do cérebro pré programadas para a linguagem, porém esse mesmo “software” não foi comprovado no nosso parente primata mais próximo, o macaco, e conforme a teoria Darwiniana esse software deveria estar lá, pelo menos em uma release menos avançada 1.0 … sinuca de bico …

Minha opnião, em parte acredito que exista evolucionismo (ou alguma forma de evolução das espécies aconteça – isso é obvio e comprovado) porém não é uma verdade absoluta e completa, ou seja existe ainda uma pedra nesse quebra cabeça (e essa Pedra é Viva e Angular), o darwinismo tem evidências porém não é conclusões, e por fim não é preciso nem dizer que Noam Chomsky é criacionista… (Assim como Einstein).

Minha opnião não mudou, mas pode ser colocada de uma outra forma, não acredito que Chomsky, Darwin, muito menos Einstein, sejam  criacionistas ou evolucionistas, mas  “apenas”  cientistas sérios,  e como tais, atuaram com foco exclusivo na ciência, despidos de viés religioso.

Os tratados de Chomksy, considerado um dos maiores intelectuais do seculo, revolucionaram a sociologia e antropologia, desconstruiram conceitos da psicologia, como o behaviourismo,   e criaram aliçerces para teorias na computação, com a famosa hierarquia de Chomsky, peça chave para os desdobramentos das maquinas com inteligencia artificial (IA), e indiretamente, mexeram de alguma forma nas crenças vigentes sobre o inicio das coisas e dos seres.

Por um lado, Darwin conseguiu demonstrar cientificamente a evolução das espécies, e suas descobertas são a plataforma pela qual a biociência se desenvolveu.

Descobri que muitos religiosos, crentes na não-religião (ateus e agnósticos de plantão), utilizam as teorias darwinianas para de alguma forma definirem taxativamente que não Há Deus, e nessa otica,  o Darwinismo é quase como uma religião para tais crentes, assim como, principalmente no Brasil,  há uma força oposta (os cristãos evangélicos e católicos fundamentalistas), que se armam com toda sorte de artificios, incluindo-se as teorias chomskianas,  para contradizer e perseguir o primeiro grupo, e nessa guerra teológica,  os cientistas ficam no meio do fogo cruzado e são usados como trincheiras.

Darwin comprovou sim que de alguma forma os seres do planeta evoluem,  estimulados pelas condições ambientais e adaptativas, e para mim, esta é apenas mais das ferramentas  que Deus para criar, talvez a melhor ferramenta.

Criador e Participa-Ativo por excelência que É, Deus não poderia deixar de atuar em Sua criação, nem sequer por um segundo, e não poderia deixar de estar próximo ao objeto de seu Amor, nem sequer por um milimetro.

E por fim, por um outro lado, Chomsky provou e comprovou na prática que, o processo de seleção natural NÃO explica por completo, todo o misterio da origem dos seres,  e atestou que faltam grandes pedaços a serem entendidos, desse grande quebra-cabeças, a serem descobertos por outros gênios que virão pela frente. Enfim, essa é minha opnião agora balizada.

E que venham as cenas dos próximos capítulos …


Tribo do AM causa guerra na lingüística

Americano diz que a língua dos pirahãs, que só contam até três, desafia a teoria mais aceita sobre a linguagem humana

Segundo Daniel Everett, idioma é exceção à chamada Gramática Universal; trio que analisou trabalho, no entanto, critica a hipótese

CLAUDIO ANGELO
EDITOR DE CIÊNCIA

Uma tribo de caçadores-coletores do sul do Amazonas está colocando lingüistas e antropólogos em pé de guerra. Segundo um pesquisador, a língua dos pirahãs, um grupo de 350 pessoas que habitam o rio Maici, perto da divisa com Rondônia, é tão excepcional que põe em xeque a principal teoria vigente sobre a linguagem humana. A tese, no entanto, é contestada por outros lingüistas.
Os pirahãs ficaram famosos entre os acadêmicos devido ao trabalho do americano Daniel Everett, 55, um ex-missionário cristão que hoje é professor da Universidade Estadual de Illinois. Ele começou a estudar a língua da tribo nos anos 1970, com o objetivo (que nunca foi cumprido) de catequizá-los.
Enquanto aprendia a língua, vivendo numa aldeia pirahã com a mulher e os filhos, Everett descobriu uma série de peculiaridades no idioma. Os pirahãs não têm palavras para cores. Usam apenas oito consoantes e três vogais. Não possuem mitos de criação, não têm tempos verbais, não fazem arte só sabem contar até três.
Em 2005, Everett publicou no periódico “Current Anthropology” um artigo no qual afirmava também que a língua pirahã não tem recursividade, ou seja, a capacidade de formar sentenças encaixando uma frase na outra. Assim, um pirahã seria capaz de dizer “a canoa de João”, “o irmão de João”, mas nunca “a canoa do irmão de João”. Como vivem numa sociedade extremamente simples, onde o que conta é a experiência imediata (o aqui e agora), os pirahãs, argumenta Everett, têm sua língua (e, portanto, seu pensamento) limitados pela cultura -um caso único.
O trabalho caiu como uma bomba no meio lingüístico. Se Everett estivesse certo, o idioma pirahã seria um sério desafio à teoria da Gramática Universal. Desenvolvida pelo influente lingüista americano Noam Chomsky, a teoria afirma que todos os seres humanos possuem uma faculdade inata da linguagem, uma espécie de “órgão da linguagem” no cérebro. Essa capacidade independeria do meio cultural, tendo sido impressa nos circuitos cerebrais do Homo sapiens pela evolução. E a principal marca dessa faculdade é justamente a recursividade.
Uma exceção a essa regra significaria ou que os pirahãs não são humanos ou que o arcabouço intelectual chomskiano -sob o qual se formaram gerações de lingüistas- está falido. Everett, é claro, aposta na segunda hipótese.

Bombando
A tese de Everett sobre como a chamada “experiência imediata” limita a competência lingüística dos pirahãs saiu do domínio da academia na semana passada e se espalhou como rastilho de pólvora na imprensa popular. Uma reportagem de 20 páginas intitulada “O Intérprete – Será que uma tribo remota da Amazônia virou do avesso nossa compreensão da linguagem?” foi publicada na prestigiosa revista americana “The New Yorker” e citada por jornais on-line, revistas e blogs nos EUA e no Brasil.
No entanto, no final do mês passado, antes de a “New Yorker” ir para a banca, um trio de lingüistas dos EUA e do Brasil postou no site especializado Lingbuzz um artigo contestando ponto a ponto o trabalho de Everett. Andrew Nevins, da Universidade Harvard, David Pesetsky, colega de Chomsky no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, e Cilene Rodrigues, da Unicamp, afirmam -com base em trabalhos anteriores do próprio Everett- que o pirahã não apresenta desafio à Gramática Universal.

1 Comentário »

  1. Daniel mente quando diz que os Pirahas não tem mito, mente quando diz que eles não tem palavras para cores.

    Comentário por Ulisses de Sousa Lima — Abril 16, 2008 @ 12:07 pm | Responder


Feed RSS dos comentários deste post URI do TrackBack

Deixe um comentário

Blog no WordPress.com.